Fisioterapia Domiciliar após Artroplastia do Joelho: Como Funciona a Recuperação?

Fisioterapia Domiciliar após Artroplastia do Joelho com avaliação da mobilidade do joelho operado

A artroplastia total do joelho é uma cirurgia realizada para substituir as superfícies cartilaginosas e ósseas desgastadas, substituindo-as por componentes artificiais (próteses), tendo como principal objetivo aliviar a dor crônica do paciente e melhorar sua mobilidade articular.

Você ou seu familiar realizou a cirurgia e agora você deve estar se perguntando: inicio a fisioterapia imediatamente ou não? Devo realizar a fisioterapia? Por quê? Vamos aprofundar o tema e você irá entender. Também vamos falar sobre um caso real de evolução, acompanhe.

O que é artroplastia do joelho?

Ela pode ser indicada quando o desgaste da cartilagem é grave e os remédios não funcionam mais para aliviar a dor, pois o desgaste já está muito avançado, ou quando o paciente realizou fisioterapia conservadora por um determinado período de tratamento contínuo e não obteve êxito. Isso é considerado falha do tratamento conservador (não significa que o tratamento conservador vai falhar para todos).

Não existe uma regra dizendo que todo paciente precisa obrigatoriamente realizar entre 6 a 8 meses de fisioterapia antes de uma cirurgia. O período de tratamento conservador pode variar de acordo com cada caso clínico.

Tem paciente com artrose há anos, mas teve êxito com o tratamento conservador e necessita de fisioterapia de forma contínua, pois isso acaba ajudando a preservar força, mobilidade e funcionalidade da articulação.

As diretrizes do NICE recomendam considerar o encaminhamento para substituição articular quando sintomas como dor, rigidez, perda de função ou deformidade comprometem significativamente a qualidade de vida e o tratamento não cirúrgico não está sendo suficiente ou não é adequado para aquele paciente.

Por que uma articulação pode precisar ser substituída?

Quando ela sofre um desgaste avançado ou irreversível da cartilagem, destruindo essa cartilagem protetora e deixando os ossos cada vez mais próximos, podendo gerar alterações no osso subcondral, aquele famoso “osso batendo no osso”, e gerando fortes dores.

Segundo as diretrizes do NICE para osteoartrite, a substituição articular pode ser considerada quando sintomas como dor, rigidez, perda de função ou deformidade comprometem significativamente a qualidade de vida e o tratamento não cirúrgico já não apresenta resultado satisfatório ou não é adequado para aquele paciente.

Entenda o porquê:

As principais causas que podem levar a essa destruição articular são:

1. Desgaste articular e doenças crônicas

  • Osteoartrite (Artrose): é uma doença articular complexa e multifatorial, envolvendo fatores mecânicos, metabólicos e inflamatórios. Antigamente era tratada como uma doença natural, e a medicina acreditava que era uma doença decorrente de um desgaste mecânico inevitável, igual pneu de carro que fica careca depois de um longo período de uso.

Hoje ela não é considerada simplesmente uma consequência natural do envelhecimento, porque envelhecer não significa obrigatoriamente ter osteoartrite. Muitas pessoas chegam aos 60, 70 ou 80 anos sem apresentar um quadro avançado da doença.

Se fosse uma consequência obrigatória e puramente natural do processo de envelhecimento, todos os idosos seriam afetados da mesma maneira, e isso não acontece.

Ou seja, na osteoartrite não é apenas a cartilagem sendo degradada, como se estivesse simplesmente raspando contra outra superfície. Existe também uma alteração nos mecanismos de manutenção e reparação dos tecidos da articulação, podendo existir uma inflamação crônica de baixo grau e também sinovite.

Essas alterações podem ativar enzimas que participam da degradação da cartilagem — o próprio organismo contribuindo para lesar aquela cartilagem, para explicar de forma didática — além de gerar alterações no osso que fica embaixo dela, chamado de osso subcondral, e na própria membrana sinovial.

Hoje a osteoartrite é entendida como uma doença que envolve a articulação como um todo, e não apenas a cartilagem.

Portanto, a osteoartrite é considerada uma doença multifatorial, podendo ter fatores de risco que não são simplesmente naturais do envelhecimento. Exemplos abaixo:

Genética: alterações genéticas podem influenciar a produção e a manutenção de componentes da cartilagem, como o colágeno, podendo aumentar a predisposição de determinadas pessoas à doença.

Repetição de traumas ou cirurgias prévias: exemplo: retirada de uma parte do menisco através de uma cirurgia de meniscectomia. Quando uma parte do menisco é retirada ainda em uma idade jovem, isso pode alterar a biomecânica natural do movimento da articulação e modificar a distribuição de carga, aumentando o risco de desenvolvimento da doença anos depois.

Obesidade e metabolismo: o excesso de peso aumenta a sobrecarga mecânica sobre o joelho, mas hoje sabemos que esse não é o único fator. O tecido adiposo também libera proteínas inflamatórias chamadas adipocinas, que participam de processos metabólicos e inflamatórios e podem contribuir para alterações da cartilagem e dos outros tecidos articulares.

Isso ajuda inclusive a explicar por que existe relação entre obesidade e osteoartrite até mesmo em articulações que não carregam diretamente o peso corporal. Ou seja, existe tanto o componente mecânico quanto o componente metabólico e inflamatório.

Resumindo: o envelhecimento torna as células da cartilagem, chamadas condrócitos, menos eficientes em alguns mecanismos de manutenção e recuperação. Porém, envelhecer não significa obrigatoriamente desenvolver osteoartrite. O próprio envelhecimento é um fator de risco importante, mas a doença ocorre através da combinação de diferentes fatores, incluindo inflamação, metabolismo, genética, traumas anteriores e sobrecarga.

Diferença básica entre prótese total e parcial

A diferença está na quantidade de componentes da articulação que será substituída. Pense assim: o joelho é dividido em três partes ou “compartimentos”: interno, externo e da frente, tendo essa diferença:

Prótese Total (ATJ – Artroplastia Total do Joelho)

  • Substitui as superfícies articulares comprometidas dos principais compartimentos do joelho.
  • O que pode ser trocado: toda a superfície superior do osso da tíbia (canela), a base do osso do fêmur (coxa) e, dependendo do caso, a parte de trás da patela, também chamada de rótula.

Existe uma curiosidade aqui que muitos pacientes perguntam: por que a parte de trás da patela pode ser substituída?

A substituição ou recapeamento da parte de trás da patela pode ser realizada quando existe comprometimento da articulação patelofemoral. A patela desliza sobre o sulco troclear ou tróclea, que é aquela “canaleta” localizada na frente do fêmur. Dependendo do desgaste, anatomia, tipo de prótese e decisão do cirurgião, a superfície da patela também pode ser recapeada.

  • Indicação: quando o desgaste e o comprometimento da articulação são mais extensos, podendo envolver dois ou três compartimentos do joelho.
  • Os ligamentos: aqui existe um detalhe importante. Na maioria das próteses totais, o LCA é removido, porém o LCP pode ser preservado ou removido, dependendo do modelo da prótese utilizada e da técnica do cirurgião. Existem inclusive modelos específicos que preservam os dois ligamentos cruzados. Portanto, não podemos dizer que os dois ligamentos obrigatoriamente precisam ser sacrificados em toda prótese total.

Prótese parcial (Artroplastia Unicompartimental)

  • Substitui apenas a parte afetada da articulação, preservando o que está íntegro (saudável).
  • Troca apenas um dos lados do joelho. Normalmente, o compartimento interno é bastante acometido, mas isso depende do padrão de desgaste de cada paciente. Os outros compartimentos saudáveis não são trocados.
  • Quando indicada? Quando o desgaste do joelho está isolado em apenas uma região e o restante da articulação apresenta boas condições.
  • Ligamentos: uma das grandes características da prótese parcial é justamente preservar os ligamentos do joelho. Para esse tipo de cirurgia, a integridade dos ligamentos é muito importante, inclusive porque ajuda a manter uma mecânica mais próxima da articulação natural.

A AAOS explica que, na artroplastia unicompartimental, são preservadas as partes saudáveis do osso, da cartilagem e dos ligamentos.

Prótese cimentada e não cimentada

Outra dúvida muito comum é: como essa prótese fica presa no osso?

Existem basicamente duas formas principais de fixação: cimentada e não cimentada.

Prótese cimentada

Na prótese cimentada, o cirurgião utiliza um material chamado cimento ósseo, geralmente o PMMA (polimetilmetacrilato), para realizar a fixação dos componentes da prótese no osso.

Pense de forma simples: o osso é preparado para receber a prótese e o cimento ósseo ajuda a preencher essa interface e realizar a fixação do componente.

É uma técnica utilizada há muitos anos e continua sendo extremamente comum na artroplastia total do joelho.

Prótese não cimentada

Na prótese não cimentada, não é utilizado o cimento ósseo dessa mesma maneira.

A superfície da prótese é desenvolvida para permitir uma fixação biológica, ou seja, com o passar do tempo o próprio osso cresce e se integra à superfície do implante.

É como se o próprio osso fosse progressivamente “abraçando” aquela prótese.

Qual é melhor?

Aqui não existe uma regra universal e nenhuma das duas formas é obrigatória para todos os pacientes.

A escolha entre prótese cimentada ou não cimentada é feita pelo cirurgião e pode depender da qualidade do osso, idade, anatomia, tipo da prótese, experiência do cirurgião e características individuais daquele paciente.

A fixação cimentada ainda é muito utilizada e historicamente é a forma mais comum, porém a utilização das próteses não cimentadas também vem aumentando.

Inclusive, uma diretriz da AAOS conclui que próteses cimentadas e não cimentadas podem apresentar resultados funcionais, complicações e taxas de reoperação semelhantes, não existindo uma única escolha que seja obrigatoriamente melhor para todos.

Ainda na relação com artrose avançada

A relação entre Artrose Avançada e Prótese é de causa e uma possível solução cirúrgica.

A artrose avançada pode chegar aos últimos estágios da doença. Quando utilizamos, por exemplo, a classificação radiográfica de Kellgren-Lawrence, o grau 4 representa uma osteoartrite bastante avançada, podendo existir grande redução do espaço articular, perda importante da cartilagem em algumas áreas e aqueles tão conhecidos “bicos de papagaio”, termo popular conhecido pela população brasileira e chamado de osteófito pelos profissionais da saúde.

É aquele famoso “osso com osso” devido à grande perda da cartilagem protetora.

Mas é importante entender que nem todo paciente com artrose no joelho irá chegar até uma prótese. Quando a articulação ainda responde ao tratamento conservador, trabalhar mobilidade, fortalecimento muscular, equilíbrio, controle da dor e capacidade funcional pode ajudar o paciente a manter sua independência e suas atividades por muito mais tempo.

Já explicamos com mais detalhes como funciona a fisioterapia domiciliar para artrose no joelho, quais exercícios podem ser realizados e como a avaliação direciona o tratamento de acordo com as limitações de cada paciente.

É nesse tipo de quadro avançado que a artroplastia total pode ser considerada, principalmente quando existe também dor importante, perda funcional e comprometimento da qualidade de vida.

Mas atenção: não é simplesmente estar no “grau 4” em um exame de imagem que significa que obrigatoriamente haverá cirurgia. A decisão é clínica e considera os sintomas e o impacto que aquela articulação está causando na vida daquele paciente.

E nem todo paciente com artrose irá chegar até uma prótese.

Quando a articulação ainda responde ao tratamento conservador, trabalhar força muscular, mobilidade, equilíbrio, controle da dor, capacidade funcional e adaptação das atividades pode ajudar bastante o paciente.

Se você ou seu familiar está passando por essa fase e ainda está realizando tratamento conservador, entenda também como funciona a Fisioterapia Domiciliar para Artrose no Joelho: Como Funciona o Tratamento?

Aqui você coloca o link do post anterior exatamente nesse texto, ficando uma conexão natural entre os dois artigos.

Dor, perda funcional, deformidade etc.

Esses sintomas mencionados acima — dor, perda funcional e deformidades — formam um conjunto clínico muito importante no paciente com artrose avançada e estão entre os principais pontos considerados na avaliação de uma possível indicação cirúrgica.

Não existe uma “tríade obrigatória” em que o paciente precise apresentar exatamente os três para fazer uma cirurgia, mas esses três pontos ajudam muito a entender o nível de comprometimento daquele joelho.

Vamos aprofundar abaixo para você compreender:

1. Dor Crônica que é Refratária

  • O comportamento dessa dor é: profunda, a pessoa pode sentir que queima ou lateja. Quando a doença está no estágio inicial, a dor pode ocorrer apenas depois de longas caminhadas, mas no estágio avançado ela pode aparecer com esforços cada vez menores, como sair do quarto até o banheiro ou a cozinha.
  • Dor em repouso: o paciente pode não conseguir ter uma boa noite de sono devido à dor. O joelho dói mesmo sem carregar peso ou simplesmente em repouso, deitado.
  • Refratária significa que: a dor continua importante mesmo depois das diferentes estratégias de tratamento realizadas e não apresenta uma resposta satisfatória ao tratamento conservador.

2. Perda Funcional (rigidez e fraqueza)

  • Perda de amplitude de movimento: o paciente não consegue mais dobrar totalmente a perna nem esticá-la, tendo dificuldade para sentar de forma confortável e podendo apresentar limitação tanto em flexão quanto em extensão.
  • Impacto no cotidiano: atividades diárias se tornam difíceis e, muitas vezes, impossíveis de realizar, passando por situações bastante constrangedoras, até para colocar meias, cortar as unhas, entrar ou sair do carro e principalmente subir escadas.
  • Atrofia muscular: o músculo quadríceps da coxa é comumente um dos mais afetados, enfraquecendo, perdendo volume de massa muscular e podendo gerar aquela sensação de instabilidade, como se o “joelho estivesse falhando”.

3. Deformidade articular

  • Alteração do eixo articular: o desgaste pode acontecer mais de um lado do que do outro, mudando progressivamente a anatomia da perna e podendo gerar as alterações estruturais abaixo:
  • Genu Varo (perna em alicate): os joelhos se afastam, como se existisse uma bola invisível causando uma separação entre os dois joelhos, dando aquela aparência de “perna de cowboy”.
  • Genu Valgo (perna em X): aqui acontece o contrário, os joelhos se aproximam e os pés ficam mais afastados.
  • Aumento de volume do joelho: é muito comum o joelho ficar com aquela aparência de inchado, edemaciado e até visualmente mais “quadrado”, devido às diferentes alterações articulares, podendo existir processo inflamatório, osteófitos e derrame articular.

Quando o paciente atinge esse nível de comprometimento da qualidade de vida e as alternativas conservadoras já não estão trazendo uma resposta satisfatória, a artroplastia total pode passar a ser considerada como uma alternativa importante para devolver mobilidade, independência e qualidade de vida para esse paciente.

3. Quando começa a fisioterapia após a artroplastia do joelho?

Diretrizes internacionais recomendam que a reabilitação seja iniciada precocemente após a cirurgia, quando as condições clínicas permitem. O NICE recomenda a reabilitação após a substituição articular no próprio dia da cirurgia, quando possível, e em até 24 horas após o procedimento, incluindo mobilização nos pacientes submetidos à artroplastia de joelho ou quadril.

A ideia antiga de que o paciente necessitava ficar em repouso, com aquele famoso “descanso absoluto”, foi abandonada pela medicina moderna.

Hoje sabemos que, com a evolução da medicina e da saúde, a fisioterapia para artroplastia total do joelho pode começar de forma precoce, ainda no primeiro dia do pós-operatório e, em alguns casos, em menos de 24 horas após a cirurgia, desde que as condições clínicas do paciente permitam e exista liberação da equipe responsável.

O início precoce é um fator muito importante dentro do processo de recuperação, mas não podemos dizer que ele sozinho é o fator mais determinante para o sucesso da cirurgia.

Abaixo você irá entender um caso real em que nossa paciente realizou a cirurgia de prótese total e vamos explicar alguns detalhes da sua recuperação.

1. Fase Hospitalar (dias 1 a 3)

  • Primeiro dia: o profissional fisioterapeuta deve auxiliar e orientar o paciente a sentar na beira da cama, realizar movimentos leves com o tornozelo para estimular a circulação e ajudar na prevenção de complicações, como a trombose, junto com as demais medidas determinadas pela equipe médica, e dar os primeiros passos no quarto com andador quando houver liberação.
  • Treino de marcha: o paciente aprende, é orientado e ensinado a caminhar distribuindo o peso com o andador, conforme sua tolerância, dor e as recomendações da equipe responsável.
  • Exercícios na cama: início de contrações leves da coxa, principalmente do músculo quadríceps, além das primeiras tentativas de dobrar o joelho de forma progressiva e controlada.

2. Fase Domiciliar Inicial (semanas 1 a 2)

  • Foco na cicatrização e dor: controle do inchaço com gelo quando houver indicação, elevação da perna estendida acima do nível do coração para auxiliar na redução do edema e cuidados com os pontos e a ferida operatória de acordo com as orientações médicas.
  • Ganho de amplitude de movimento: já começamos nessa fase. Um dos principais objetivos é fazer o joelho recuperar progressivamente a extensão, buscando chegar próximo de 0° de extensão, além de aumentar a flexão. Os 90° de flexão podem ser uma referência funcional importante nas primeiras fases da recuperação, porém não é uma regra dizendo que todo paciente obrigatoriamente precisa atingir esse valor exatamente na mesma semana.
  • Estimular independência: treino de equilíbrio com andador, treino para subir e descer pequenos degraus quando houver segurança e indicação, treino para ir ao banheiro e realização das atividades básicas dentro da própria casa.

Principalmente nas primeiras semanas depois da cirurgia, muitos pacientes ainda apresentam dificuldade para sair de casa, entrar no carro, caminhar longas distâncias ou chegar até uma clínica com segurança. É justamente nessa fase que a fisioterapia domiciliar em São Paulo pode permitir que a recuperação continue dentro do próprio ambiente do paciente, trabalhando não somente o joelho operado, mas também situações reais da sua rotina, como levantar do sofá, caminhar até o banheiro, utilizar escadas e recuperar sua independência progressivamente.

3. Fase (Ambulatorial – Clínica)

  • Aqui o paciente deve ser avaliado pelo fisioterapeuta. Muitos pacientes acabam tendo comprometimento de equilíbrio, fraqueza, redução da mobilidade e dor decorrentes do pós-operatório.

Portanto, reavaliar o paciente nessa fase para verificar se ele já possui condições seguras de realizar o tratamento em uma clínica é essencial, principalmente quando ainda possui dificuldades para o deslocamento.

4. Caso Clínico real

Caso Clinico Real Fisioterapia domiciliar para artroplastia no joelho 1

A Dona Maria nos procurou devido a um pós-operatório de artroplastia total do joelho, com substituição dos 3 componentes. Com 73 anos de idade, era uma pessoa ativa e estava na fase domiciliar com aproximadamente 10 dias de cirurgia.

Era sua segunda operação. Ela tinha operado o joelho esquerdo há cerca de 3 anos, porém não apresentava uma amplitude de joelho adequada para um pós-operatório de artroplastia.

O joelho operado anteriormente não chegou a recuperar uma boa amplitude de movimento. Ela realizou o tratamento em uma clínica de convênio e, segundo o relato da própria paciente, não teve uma atenção individualizada durante aquele processo.

Independentemente da técnica que foi utilizada anteriormente, o fato clínico que encontramos era uma limitação importante de mobilidade no joelho esquerdo.

A dor já não era mais presente, porém ela havia perdido bastante mobilidade.

Quando existe formação excessiva de tecido cicatricial e uma limitação persistente de movimento após uma cirurgia, pode ocorrer uma condição chamada artrofibrose.

Aqui é importante corrigir uma coisa: a artrofibrose não significa obrigatoriamente que somente uma nova cirurgia de prótese pode resolver. Dependendo do grau, do tempo de evolução e da avaliação do ortopedista, podem existir diferentes estratégias, incluindo reabilitação, manipulação sob anestesia, procedimentos para liberação de aderências ou outras abordagens cirúrgicas.

Ela foi bem orientada sobre o joelho esquerdo, operado há cerca de 3 anos, que apresentava uma dificuldade importante para dobrar e não chegava adequadamente aos 90°. Triste isso, né?

Já o joelho direito, operado recentemente, apresentou uma evolução muito positiva durante a reabilitação com nossa equipe da Fisio Flex Domiciliar.

Quais foram os principais objetivos da fisioterapia domiciliar:

  • Controle de edema e dor: orientações e condutas analgésicas da fisioterapia para melhorar o edema e a dor. Utilizamos também o laser como recurso complementar, quando indicado, para auxiliar no controle da dor e no processo de cicatrização, através da Fotobiomodulação ou Laserterapia de Baixa Potência.
  • Recuperação da extensão total de joelho: exercícios ativos específicos para melhorar a extensão e orientações que também eram repassadas para a paciente. Trabalhamos exercícios de ativação do quadríceps, posicionamentos para favorecer a extensão e movimentos ativos controlados para o joelho não permanecer longos períodos constantemente dobrado.
  • Ganho progressivo de flexão: realizamos exercícios ativos e assistidos para aumentar progressivamente a capacidade de dobrar o joelho. Utilizamos movimentos de flexão dentro da tolerância da paciente, exercícios no próprio sofá e diferentes estratégias para que ela começasse a utilizar essa nova amplitude também nas atividades do dia a dia.
  • Ativação muscular: após uma cirurgia desse tamanho é muito comum o músculo apresentar dificuldade para realizar uma contração eficiente, principalmente o quadríceps. Trabalhamos contrações ativas, exercícios isométricos e diferentes estímulos para melhorar novamente o comando e o recrutamento muscular.
  • Fortalecimento de quadríceps: utilizei eletroestimulação com FES para auxiliar no recrutamento das fibras musculares que estavam apresentando dificuldade de ativação. Para explicar de forma simples, é como se estivéssemos ajudando a “despertar” aquele músculo que, após a cirurgia, ainda não estava conseguindo realizar todo o recrutamento motor de forma eficiente.
  • Treino de transferências: treinamos atividades que realmente faziam parte da rotina da paciente, como levantar e sentar no sofá, levantar de uma cadeira, mudar de posição, apoiar progressivamente o membro operado e realizar as transferências com cada vez mais segurança e independência.
  • Treino de equilíbrio: utilizei o step com treino ortostático e associei exercícios de membros superiores para estimular a independência. Também realizamos treino de circuito de marcha com cones, andador e diferentes estímulos motores.
  • Treino de marcha: orientei ela a andar novamente, corrigindo progressivamente o padrão da marcha e ensinando a realizar o contato inicial com o calcanhar e depois a progressão do pé. Depois que ela foi aprendendo novamente, fui acrescentando novos estímulos e obstáculos, como cones, chapéu chinês, caminhada sobre uma linha contínua e mudanças de direção.
  • Progressão do dispositivo auxiliar quando indicado: aos poucos fui orientando o desmame do andador e progredindo conforme a evolução clínica da paciente, considerando força, equilíbrio, segurança e qualidade da marcha.
  • Recuperação funcional: estimulava com exercícios de alcance, apoio do membro operado para trabalhar propriocepção, força e diferentes estímulos motores, buscando uma boa adaptação com seu estilo de vida diário.

Nos primeiros dias já ganhamos os primeiros 90 graus de amplitude

Nos primeiros dias de acompanhamento já conseguimos alcançar aproximadamente 90° de flexão do joelho operado.

Conforme a paciente foi evoluindo, conseguimos aumentar progressivamente essa amplitude.

Evolução da amplitude de movimento

Nos primeiros dias de tratamento já conseguimos atingir aproximadamente 90° de flexão do joelho. Conforme a paciente foi evoluindo, aumentamos progressivamente essa amplitude e, nas imagens seguintes, já conseguimos observar visualmente uma flexão próxima de 100° a 110°.

Isso representa aproximadamente 10° a 20° de ganho de flexão durante essa fase da recuperação.

Evolucao Amplitude de Movimento Paciente Maria

E o mais importante: não trabalhamos apenas para “dobrar mais o joelho”. Ao mesmo tempo, trabalhamos força, ativação do quadríceps, equilíbrio, marcha, transferências e principalmente a utilização dessa nova amplitude adquirida e em evolução dentro das atividades do dia a dia.

Estratégias funcionais para os primeiros ganhos de mobilidade

Durante a fase inicial da recuperação, utilizamos posições e exercícios dentro da própria rotina da paciente para estimular o ganho progressivo de flexão do joelho operado. O objetivo é aumentar, de forma segura e tolerável, o tempo em que o joelho permanece dobrado, ajudando a articulação a se adaptar gradualmente à nova amplitude.

Estrategias Funcionais para Fisioterapia domiciliar apos artroplastia do joelho

E quando comparamos com o outro joelho?

Quando comparamos com o joelho esquerdo, operado aproximadamente 3 anos antes, conseguimos perceber uma limitação maior de flexão.

Pelas imagens, o joelho esquerdo parece permanecer abaixo ou próximo dos 90° de flexão, enquanto o joelho direito, recém-operado e acompanhado durante essa nova reabilitação, já demonstra nas imagens de maior flexão uma amplitude visual próxima de 100° a 110°.

E Quando comparamos com o outro Joelho

O joelho após uma prótese nem sempre recupera exatamente a mesma amplitude de movimento que um joelho natural saudável possuía anteriormente. Existe uma nova estrutura articular, além de fatores como cicatrização, rigidez, força muscular, dor e condição clínica de cada paciente que influenciam diretamente nesse resultado.

Porém, isso não significa que uma limitação importante como essa seja simplesmente “normal” depois da cirurgia. Existe uma margem segura e funcional de ganho de mobilidade que precisa ser buscada durante a recuperação, principalmente para que o paciente consiga sentar, levantar, caminhar, utilizar escadas e realizar suas atividades diárias com mais independência.

Por isso, a evolução da amplitude precisa ser acompanhada continuamente, com bastante estratégia e ajustes no tratamento de acordo com a resposta de cada paciente. No caso dela, o joelho esquerdo, operado anteriormente, permaneceu com uma limitação de flexão muito maior quando comparamos com a evolução que conseguimos observar no joelho operado mais recentemente.

Essa comparação foi muito importante para a própria paciente entender que o objetivo depois de uma artroplastia não é simplesmente “parar de sentir dor”.

Precisamos recuperar também mobilidade, força, equilíbrio, marcha e funcionalidade, para que aquele novo joelho realmente seja utilizado durante as atividades da vida diária.

Estratégias para progressão do ganho de flexão de Joelho Direito Operado

Conforme a paciente foi evoluindo, aumentamos progressivamente os estímulos para ganho de amplitude de movimento. Nessa fase, utilizamos a própria ação da gravidade associada a uma carga de 2 kg, permitindo que o joelho permanecesse em flexão por mais tempo e avançasse gradualmente dentro da amplitude tolerada pela paciente.

Estrategias para progressao do ganho de flexao de Joelho Direito Operado

Também associamos técnicas de FNP (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva), utilizando contração, relaxamento e progressão da flexão para trabalhar o ganho de mobilidade no final da amplitude.

A manutenção da posição era realizada por aproximadamente 6 a 20 segundos, com cerca de 3 a 4 séries, sempre observando a resposta da paciente. O objetivo não era simplesmente “forçar o joelho”, mas trabalhar progressivamente dentro de um limite tolerável de desconforto, sem ultrapassar uma dor importante ou provocar uma resposta inadequada da articulação.

Quando comparamos essa imagem com os registros anteriores, já conseguimos observar visualmente uma flexão maior do joelho, mostrando como a combinação entre exercícios, tempo de permanência, progressão de carga e diferentes estratégias terapêuticas foi sendo utilizada conforme a evolução clínica da paciente.

Estratégias como ganho de amplitude, fortalecimento, treino de marcha, equilíbrio e recuperação funcional fazem parte de uma abordagem mais ampla da fisioterapia ortopédica domiciliar, em que o tratamento é planejado de acordo com a cirurgia realizada, fase da recuperação, limitações encontradas na avaliação e objetivos funcionais de cada paciente.

Fisioterapia Domiciliar após Artroplastia do Joelho em São Paulo

Após uma cirurgia de artroplastia, principalmente nas primeiras semanas, sair de casa pode ser uma dificuldade enorme para o paciente.

Além da dor e do edema, ele ainda está reaprendendo a andar, utilizando andador ou outro dispositivo auxiliar e muitas vezes possui dificuldade simplesmente para entrar em um carro, subir uma escada ou caminhar até uma clínica.

É exatamente nesse momento que a fisioterapia domiciliar em São Paulo pode fazer sentido, permitindo que parte dessa recuperação aconteça dentro do próprio ambiente onde o paciente realmente precisa voltar a ser independente.

A avaliação dentro de casa também permite entender dificuldades que muitas vezes não aparecem dentro de uma clínica: levantar daquele sofá específico, caminhar até o banheiro, entrar no quarto, utilizar uma escada, passar por corredores e voltar progressivamente às atividades que realmente fazem parte da rotina daquela pessoa.

A recuperação depois de uma artroplastia do joelho é um processo progressivo. Cada paciente possui uma história, uma condição física e uma evolução diferente.

Por isso, não existe simplesmente um protocolo igual para todo mundo.

Existe avaliação, acompanhamento da evolução e tomada de decisão de acordo com aquilo que aquele paciente realmente apresenta em cada fase da recuperação.

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